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A volta da tradição: 65% dos consumidores querem o pão de antigamente de volta às gôndolas

Autor
Matheus Pinheiro
3 de julho de 2026

A volta da tradição: 65% dos consumidores querem o pão de antigamente de volta às gôndolas

Existe um movimento claro ocorrendo nos balcões e gôndolas de panificação: o consumidor está olhando para o passado. Dados do estudo global Market & Consumer Trends 2026 revelam que 65% das pessoas gostariam de ver receitas antigas e tradicionais retornando às prateleiras dos supermercados. No entanto, esse desejo de resgatar o passado vem acompanhado de exigências comerciais severas quando olhamos para o mercado da América Latina: o frescor absoluto (fator crítico para 62% dos consumidores latinos) e o sabor marcante (essencial para 39% deles). 

Para quem está à frente da produção, seja em uma padaria artesanal ou em uma indústria de grande escala, esse cenário impõe um desafio operacional complexo. Como entregar a complexidade aromática, a crosta perfeitamente dourada e o miolo ideal de um pão de antigamente, mantendo o controle rigoroso dos tempos de masseira, o fluxo de forneamento e a padronização biológica? 

A resposta para equilibrar essa balança está na versatilidade técnica da massa madre viva. Tanto é que, na América Latina, as formulações baseadas em massa madre já respondem por 6% de todos os lançamentos inovadores de panificação nos últimos cinco anos, provando ser uma tendência consolidada de valor agregado. 

Muito além da farinha: como garantir a estrutura e a força da massa   

Trazer receitas tradicionais para a escala do varejo moderno não significa trabalhar de forma empírica ou abrir mão da eficiência. Quando inserimos a massa madre viva no início do processo, estamos introduzindo uma ferramenta de controle reológico na masseira. 

A queda gradual e controlada do pH durante o batido e a primeira fermentação atua diretamente na rede de glúten e nas atividades enzimáticas da farinha. Na prática, esse equilíbrio confere à massa: 

  1. Tolerância ao estresse mecânico: a massa ganha a sustentação necessária para passar por modeladoras e divisoras industriais sem rasgar. 
  1. Estabilidade de miolo: a acidez correta melhora a capacidade de absorção de água da farinha, resultando em um alvéolo bem distribuído, miolo elástico e maior retenção de umidade, o que atende diretamente à exigência por um frescor mais prolongado na gôndola. 
  1. Crosta rústica e coloração: a atividade biológica coordenada da massa madre contribui para a caramelização ideal, gerando uma crosta crocante e aquela pestana bem definida que, em sinergia com o fermento biológico responsável pela expansão da massa, entrega ao consumidor o autêntico produto feito “do zero”.

    Padronização em larga escala: rompendo o mito da inconstância 

    Por muito tempo, o resgate de receitas antigas foi associado à instabilidade — o medo de o pão sair azedo em dias quentes ou não desenvolver corretamente em dias frios. No varejo e na indústria B2B, a inconstância é sinônimo de prejuízo.

    O uso da massa madre viva padronizada resolve essa equação. Ao utilizarmos uma matriz biológica estável e de alta integridade, combinada ao fermento biológico correto para cada tipo de massa, eliminamos as variáveis climáticas e o risco de contaminações cruzadas no chão de fábrica.

    Isso permite que o mestre padeiro ou o gestor de produção determine com exatidão o tempo de bloco, o tempo de câmara e a escala de forneamento. Conseguimos programar uma produção para rodar em modelos híbridos (como o congelamento de massas ou o pré-assamento) sabendo exatamente que o pão assado às 6h da manhã terá rigorosamente o mesmo padrão, tamanho, aroma e sabor daquele que sairá do forno às 18h.

    O sabor que conforta e simplifica o rótulo 

    Atender aos pilares do estudo Market & Consumer Trends 2026 voltados a proporcionar momentos de prazer e simplificação no consumo exige entregar formulações compreensíveis e transparentes. A massa madre viva é o insumo definitivo para isso.

    As notas aromáticas geradas pelas bactérias láticas e leveduras durante o processo criam um perfil sensorial complexo — notas que vão desde o frutado e o lácteo até perfis levemente acéticos e desejáveis. Essa riqueza orgânica preenche o paladar e confere o verdadeiro sabor do pão tradicional, dispensando o uso de aditivos sintéticos e aromatizantes artificiais.

    Resgatar as receitas antigas não significa retroceder nos processos; significa usar o melhor da nossa expertise em fermentação de excelência para entregar o pão mais autêntico, seguro e rentável possível. Unir a ciência do processo biológico à arte da panificação tradicional é o caminho para fazer o varejo crescer com qualidade e padrão.

Sobre o autor:
Matheus Pinheiro
Matheus Moura Pinheiro é técnico em panificação, há três anos na Lesaffre, com experiência na aplicação de ingredientes, massa madre viva e inativa, fermento biológico e otimização de processos produtivos. Atua ministrando treinamentos teóricos e práticos para indústrias, centrais de produção e distribuidores, garantindo padronização e qualidade nos produtos. Formado em Gastronomia pela Unicesumar, com especialização em panificação, morou por um ano na China, adquirindo experiência internacional na área, na qual atua há 11 anos. 
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