As padarias paulistanas conquistaram o ouro nas categorias croissant e baguette de tradição francesa, respectivamente, na primeira edição do concurso que reuniu 41 estabelecimentos de 8 estados em São Paulo. O júri, presidido pelo Meilleur Ouvrier de France Bruno Cormerais, contou com a participação de professores e alunos do Massa Madre.
A Mich Mich, da Pompeia, levou o primeiro lugar na categoria croissant da 1ª edição do Prêmio Taste France Brasil – Boulangerie, concurso realizado pela Business France e pela Embaixada da França no Brasil no último dia 5 de maio. A Casa Allamanda Boulangerie et Bistrot, do Alto de Pinheiros, conquistou o ouro na disputa pela melhor baguette de tradição francesa.
A rede Fabrique levou para casa duas medalhas de prata — vice-campeã em ambas as categorias. O bronze nos croissants foi para a L’Atelier Sucré, de Bauru, e a BREADing & Co., da Vila Mariana, ficou em terceiro entre as baguettes. Os campeões foram premiados com cursos no Le Cordon Bleu e na Eno Cultura, além de insumos e equipamentos cedidos pelas empresas parceiras; segundos e terceiros colocados ganharam cursos no Ateliê do Boulanger e na Eno Cultura, com ingredientes e utensílios dos patrocinadores.
Avaliação às cegas, no padrão dos grandes concursos franceses
Para escolher os melhores pães do país, o júri avaliou às cegas os aspectos visuais, gustativos e olfativos das amostras. As receitas precisavam seguir à risca o savoir-faire da panificação tradicional francesa.
A análise técnica aconteceu pela manhã, no Instituto de Artes Culinárias Le Cordon Bleu de São Paulo. A primeira triagem foi conduzida pelo presidente do júri, Bruno Cormerais — Meilleur Ouvrier de France e apresentador do programa La Meilleure Boulangerie de France, sucesso da TV francesa. Acompanhado do boulanger bretão Patrice Roudaut, finalista da edição mais recente do programa, Cormerais conferiu se as amostras atendiam às exigências mínimas em critérios como dimensão e peso, etapa eliminatória antes da degustação.
“Ficamos muito surpresos, de forma positiva. O que descobrimos hoje nos mostra que no Brasil realmente se sabe fazer pão.” — Bruno Cormerais, presidente do júri
Aprovadas na triagem, as amostras seguiram para dois grupos de jurados especialistas, um para cada categoria.
Quem julgou as baguettes
A bancada das baguettes reuniu o padeiro e ator Milhem Cortaz (Cortaz o Pão, SP), o chef franco-brasileiro Benoit Mathurin (Esther Rooftop, SP), o advogado e colunista gastronômico Fred Sabbag, a padeira Paula Bonomo (Casa Bonomi, BH) e o gelataio Fabrício Tonon (Casa Doce, Brasília).
Quem julgou os croissants
Já a mesa dos croissants contou com a jornalista Patrícia Ferraz (colunista do Estadão), o chef Salvador Lettieri (Le Cordon Bleu) e três nomes ligados ao Massa Madre:
- Chef Ricardo Arriel — professor do Massa Madre e empresário à frente da brasiliense Line Bakery
- Chef Karina Ruiz — professora do Massa Madre e fundadora da Viva Bakery, em Americana (SP)
- Juliana Abel — aluna do Massa Madre e à frente da Torta no Quintal, em São Paulo
A presença de três integrantes da rede Massa Madre na bancada reforça o papel da escola como ponto de encontro do alto nível da panificação brasileira, o tipo de profissional capaz de avaliar o que define um croissant irretocável: folhagem aberta e regular, coloração uniforme, aroma de manteiga limpo e textura que combina crocância externa com miolo macio e alveolado.
Entre as competidoras, destaque para a Chef Claudia Rezende, professora do Massa Madre, que inscreveu sua produção ao lado das outras 40 padarias de oito estados, sinal da abrangência geográfica que o prêmio alcançou já em sua estreia.
Cerimônia de premiação na residência da cônsul-geral
À noite, os vencedores foram anunciados em cerimônia na residência da cônsul-geral da França em São Paulo, Alexandra Mias, com a presença do diretor LatAm da Business France, Eric Fajole, profissionais brasileiros e franceses do setor, jornalistas e parceiros — entre os quais membros da equipe Massa Madre, convidados para a confraternização que reuniu os principais nomes da panificação dos dois países.
No discurso de abertura, a cônsul destacou o peso simbólico e econômico do pão nas duas culturas: “A panificação ocupa, na França, uma posição estratégica: ela é economia, cultura alimentar e coesão social. Ao mesmo tempo, o Brasil representa um dos mercados de panificação mais dinâmicos e capilares do mundo.”
Eric Fajole lembrou que a influência francesa na panificação brasileira remonta ao final do século XIX, com o icônico “pão francês”, e ressaltou que os melhores resultados nascem da combinação entre talento artesanal local e ingredientes franceses, sobretudo farinha e manteiga. A Business France já sinaliza ambição de expandir o prêmio: “Temos a ambição de levar a iniciativa a outras regiões do Brasil nos próximos anos”, declarou André Rios, chefe do departamento de exportação AgroTech da agência.
Uma ponte cultural — e uma dimensão solidária
O Prêmio Taste France Brasil – Boulangerie integra a marca internacional Taste France, criada para promover globalmente a cultura gastronômica francesa. A iniciativa carrega ainda uma dimensão solidária: a inscrição dos participantes foi feita por meio de doação à ONG franco-brasileira Arca de Noé, que atua na comunidade de Vila Prudente com projetos voltados a crianças, um ateliê de costura, responsável pelos aventais entregues aos competidores, e cursos de formação profissional, entre os quais o de panificação é um dos mais procurados.
O concurso tem apoio institucional do Ministério da Agricultura francês, do Consulado-Geral da França em São Paulo, da Câmara de Comércio França-Brasil e da SAMPAPÃO, além da parceria principal da France Panificação — grupo que importa as farinhas Bagatelle, opera a rede La Boulange e mantém o Ateliê do Boulanger.
Para o Massa Madre, eventos como este sustentam a panificação artesanal brasileira em alto nível: o encontro entre a tradição francesa e o talento dos profissionais que transformam, todos os dias, farinha, água, sal e fermento em produtos com identidade. Parabéns aos campeões, finalistas e à organização. Que venham as próximas edições.