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MANTEIGA PARA LAMINAÇÃO DE CROISSANTS E FOLHADOS

A escolha da manteiga é determinante para a qualidade da laminação de croissants e massas folhadas. Sua estrutura cristalina, teor de gordura (idealmente 84%), plasticidade e controle de temperatura influenciam diretamente na formação de camadas, textura e crocância. A manteiga deve estar entre 12 °C e 16 °C, enquanto a massa deve iniciar a laminação por volta de 4 °C. O equilíbrio entre cristais alfa, beta e beta-prime impacta estabilidade e desempenho no processo.
Autor
Claudia Rezende
13 de março de 2026

MANTEIGA PARA LAMINAÇÃO DE CROISSANTS E FOLHADOS

Entendendo a estrutura da manteiga e como isso interfere na laminação 

A manteiga é uma emulsão de gordura e água, feita a partir do creme de leite, que também é uma emulsão natural de gordura e água, separada do leite por meio de processos de centrifugação. A manteiga é obtida após a batedura do creme de leite, até que as partículas de gordura se aglutinem em uma massa compacta e se separem da água presente no creme. 

Durante esse processo, as partículas de gordura se organizam em uma estrutura de cristais que confere textura e sabor à manteiga e influencia diretamente sua qualidade para utilização na laminação e em outras receitas. Quantas receitas nos pedem manteiga em ponto de pomada? Aqui você já vai entender. 

Os cristais da manteiga podem ser classificados em três tipos: alfa (α), beta (β) e beta-prime (β’). 

Os cristais alfa (α) são os menores e mais instáveis, têm o ponto de fusão mais baixo e geralmente estão espalhados aleatoriamente na manteiga. Eles são formados durante o processo de aglutinação das partículas de gordura na batida do creme de leite. Esses cristais surgem em um estágio inicial da fabricação da manteiga e tendem a se fundir em cristais maiores ao longo do armazenamento. 

Os cristais beta-prime (β’) são intermediários e tendem a se alinhar em ângulos retos, formando linhas alternadas. São maiores que os cristais alfa, mais estáveis e têm ponto de fusão mais alto que os alfa. 

Os cristais beta (β) são maiores e mais estáveis que os anteriores e são formados durante o processo de resfriamento da manteiga. Eles representam a forma cristalina mais estável na manteiga e tendem a se organizar em linhas paralelas. Esses cristais possuem o ponto de fusão mais alto. O ponto de fusão aumenta à medida que o tamanho do cristal aumenta. 

Cristais e seu papel na laminação 

Quando a manteiga é usada na laminação de croissants, os cristais alfa se derretem mais facilmente e ajudam a criar camadas finas de gordura que separam as camadas de massa. Por outro lado, os cristais beta são responsáveis pela textura da massa laminada e contribuem para a crocância característica do croissant. 

A proporção de cristais alfa e beta na manteiga pode variar dependendo de fatores como temperatura de armazenamento, teor de gordura e tempo de estocagem. Uma proporção adequada entre essas fases cristalinas é fundamental para garantir desempenho na laminação. 

Plasticidade e ponto de fusão 

Plasticidade e alto ponto de fusão são propriedades fundamentais que os padeiros buscam nesse tipo de manteiga. 

Se a manteiga for muito dura e não apresentar plasticidade, irá quebrar durante o processo de laminação, levando à distribuição desigual na formação das camadas. 

Por isso, “temperar” as placas de manteiga muito frias e rígidas é um processo importante antes de laminar. Você deve amaciar a placa utilizando laminadora, rolo ou prensa hidráulica, elevando ligeiramente a temperatura da gordura, o que leva ao alinhamento e à formação de cristais menores (de beta para beta-prime), conferindo melhor plasticidade para a laminação. 

Por outro lado, na laminação de massas não é recomendado utilizar manteiga que tenha ficado mole demais antes da formação das placas, pois isso altera sua estrutura cristalina (com aumento da formação de cristais alfa), podendo comprometer a qualidade da massa laminada. 

Como escolher a manteiga ideal para laminar 

Algumas propriedades tornam a manteiga mais adequada para laminação: 

Teor de gordura 

Idealmente 84%, ou seja, um alto teor de gordura, essencial para a laminação de massas folhadas. Uma manteiga com teor mais alto de gordura apresenta estrutura cristalina mais rígida e densa (maior proporção de cristais beta), enquanto uma com teor mais baixo apresenta estrutura mais solta e suave (maior proporção de cristais alfa). 

Textura 

A manteiga deve ser firme, com plasticidade uniforme, permitindo que seja trabalhada sem quebrar ou se espalhar excessivamente. 

Temperatura 

A manteiga deve estar fria (entre 12 e 16 °C), mas não tão fria a ponto de se tornar quebradiça. Isso permite que seja distribuída uniformemente na massa e ajuda a criar camadas bem definidas. É fundamental também controlar a temperatura da massa, que deve apresentar consistência semelhante à da manteiga. 

Sabor 

A manteiga possui sabor rico e levemente adocicado, apreciado em massas folhadas. Além disso, contribui para o desenvolvimento de aroma agradável durante o cozimento. 

Ponto de fusão 

A manteiga possui ponto de fusão relativamente baixo, geralmente entre 30 e 35 °C, dependendo da composição e do processamento. Isso significa que começa a derreter em temperatura ambiente, especialmente em dias mais quentes. 
Para laminar, é essencial manter sua temperatura controlada; caso contrário, a manteiga poderá se mesclar à massa, comprometendo a definição das camadas laminadas. 

Sobre a massa para laminação 

De modo geral, uma laminação perfeita depende não apenas da manteiga, mas também da massa. 

A massa para laminação geralmente apresenta nível de hidratação mais baixo do que massas de pão ou brioche. Uma regra geral é trabalhar com no máximo 50% de hidratação, considerando o líquido total (água, leite e ovos combinados). 

Se a massa estiver excessivamente hidratada, será difícil combinar massa e manteiga. Se estiver muito seca, ocorrerão rachaduras e dificuldades no processamento. 

Durante a laminação, se a massa estiver muito quente, a manteiga começará a amolecer, prejudicando o processo. Se estiver muito fria, poderá se romper ao passar pela laminadora. 

A faixa de temperatura ideal para iniciar a laminação da massa é por volta de 4 °C. A massa e a manteiga devem apresentar temperatura e consistência semelhantes. 

FAQ — Manteiga para Laminação de Croissants 

Qual é a melhor manteiga para laminar croissants? 

A melhor manteiga para laminação é aquela com 84% de gordura, boa plasticidade e estrutura cristalina estável. Quanto maior o teor de gordura, melhor a definição das camadas e o resultado final do croissant. 

Qual é a temperatura ideal da manteiga para laminar? 

A manteiga deve estar entre 12 °C e 16 °C. Fria o suficiente para manter estrutura, mas com plasticidade para não quebrar durante a laminação. 

Qual é a temperatura ideal da massa para laminação? 

A massa deve estar em torno de 4 °C e apresentar consistência semelhante à da manteiga. Isso evita ruptura das camadas e facilita o processo. 

Por que a manteiga quebra ou se mistura à massa? 

Ela quebra quando está fria demais e sem plasticidade. 
Ela se mistura à massa quando está mole demais. 
O controle de temperatura e da estrutura cristalina é essencial para uma laminação bem-sucedida. 

Qual hidratação é recomendada para massas laminadas? 

Recomenda-se até 50% de hidratação total, considerando todos os líquidos da fórmula. Hidratação excessiva dificulta o controle das camadas. 

Principal fonte deste artigo: 
The Art of Lamination – Jimmy Griffin 

Sobre o autor:
Claudia Rezende
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