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Cerveja e pão: 5 dicas para uma harmonização infalível

07 AGOSTO,2017

 

Ao longo dos séculos, cerveja e pão foram dois dos alimentos mais apreciados pelo homem, de forma que sua história se confunde com a história da própria humanidade. Não à toa, a cerveja é muitas vezes chamada de "pão líquido", por apresentar diversas semelhanças com o nosso pãozinho de cada dia, tanto no que tange à matéria-prima quanto aos métodos e procedimentos de preparo.

 

Sendo dois alimentos absolutamente deliciosos e de uma versatilidade incrível, resolvemos preparar um guia para você destrinchando os princípios e as linhas gerais da harmonização gastronômica, aplicando-os a essa dupla sensacional.

 

Vem com a gente e vamos expandir nosso universo de sabores.

 

1. Entenda o conceito de cerveja

 

Antes de nos aprofundarmos na relação histórica entre cerveja e pão, é interessante que tenhamos em mente uma definição muito clara do que é cerveja.

 

Considera-se cerveja a bebida alcoólica carbonatada produzida a partir da fermentação de cereais maltados, tais como a cevada e o trigo. Seu preparo inclui um alto percentual de água e pode levar lúpulo e fermentos isolados, além de especiarias, frutas, ervas e outros vegetais.

 

Nesse sentido, podemos fazer um contraste em relação ao vinho, por exemplo: embora seja também uma bebida fermentada, o vinho é feito a partir da uva, sem a participação de cereais maltados.

 

Já o whisky, apesar de ser produzido a partir da fermentação de cereais com malte, é uma bebida destilada, diferenciando-se da cerveja pela ausência de carbonatação.

 

A partir dessa base, mestres cervejeiros de todo o mundo usam sua criatividade para dar vida a centenas de estilos diferentes de cerveja, cada um com características próprias que tornam cada cerveja única.

 

2. Conheça a história da cerveja e do pão

 

Não é uma tarefa fácil determinar a origem desses dois alimentos ancestrais, mas sabe-se que o surgimento da cerveja e do pão se confunde com o da própria agricultura, por volta de 10 mil anos antes de Cristo, fruto da fermentação acidental de cereais expostos à chuva. Há, inclusive, antropólogos que acreditam que a invenção da agricultura se deu devido ao desejo de produzir pão e cerveja com frequência.

 

Já na antiga Mesopotâmia, bem como no Egito, havia registros de processos de fabricação de cerveja e pão por padeiras mulheres. Então, a produção da cerveja consistia em assar parcialmente uma massa de cereais previamente germinados, que seria então adicionada a um jarro com água e uma sobra da massa anterior — como os povos antigos não conheciam a microbiologia, essa massa incorporava o fermento desenvolvido na produção anterior. Ou seja: a diferença entre cerveja e pão era mínima, tanto que ambos eram produzidos pela mesma pessoa.

 

3. Siga os princípios da harmonização

 

Agora que você já conhece um pouco da história que une cerveja e pão, vamos conhecer os fundamentos da harmonização entre bebidas e pratos.

 

Quando falamos em harmonização gastronômica, devemos ter em mente que os diferentes elementos da harmonização — no nosso caso, cerveja e pão — devem convergir para gerar o melhor sabor possível. Dessa forma, temos os três tipos principais de harmonização:

 

  • por semelhança — nesse tipo de harmonização, prato e bebida partilham de uma mesma base de sabor. Essa base em comum dará uma sensação de continuidade no paladar, realçando os traços de sabor um do outro. Um exemplo de harmonização por semelhança ocorre quando combinamos um pão tipo ciabatta com uma cerveja de trigo do estilo Weiss: os aromas de trigo e fermento da cerveja darão continuidade ao sabor do pão;

 

  • por contraste — na harmonização por contraste, por outro lado, buscamos bebidas e pratos cujos traços mais marcantes se equilibrem mutuamente. Aqui, é importante ter em mente as características mais marcantes do prato a ser servido e buscar equilibrá-las com uma cerveja cujo aroma aponte em outra direção. Podemos citar como exemplo a harmonização entre uma focaccia com molho pesto e uma witbier de elevada acidez: a acidez e a secura da cerveja irão contrapor a untuosidade do molho pesto, limpando o paladar e preparando-o para a próxima fatia;

 

  • por corte — por fim, sua harmonização pode também se dar por corte. Esse tipo é recomendado quando temos pratos e bebidas de sabor intenso, muito marcante. Nesses casos, procura-se justamente cortar algum traço de sabor muito forte e persistente. Podemos citar como exemplo a harmonização entre uma cerveja do estilo Indian Pale Ale, bastante seca devido ao excesso de lúpulo, e pratos gordurosos, como um sanduíche de costelinha ao molho barbecue.

 

4. Dê atenção aos seus sentidos

 

Como você deve ter percebido pelas três grandes diretrizes que listamos acima, para harmonizar pão e cerveja é preciso, antes de mais nada, estar atento àquilo que seus sentidos dizem, pois no fim eles é que dirão se uma harmonização foi bem ou malsucedida.

 

É normal que, a princípio, não nos achemos qualificados para preparar uma harmonização de sucesso. Não se preocupe. Procure começar a se aventurar por cervejas e pães de sabor mais marcante, como uma Stout, com notas fortes de chocolate, caramelo e café, e um pão escuro de centeio ou um pão de cacau e cramberry e suas deliciosas notas de chocolate. Trabalhar com sabores e aromas fortes ajudará você a treinar seus sentidos para identificar com maior facilidade os sabores básicos de preparações mais complexas.

 

5. Teste algumas harmonizações

 

Assim como acontece com os vinhos, não é raro que cervejas e pães oriundos de uma mesma região formem harmonizações esplêndidas. Dessa forma, um sanduíche de pão italiano com presunto de parma e rúcula fará uma excelente harmonização por semelhança com uma autêntica birra italiana do estilo lager, seca e refrescante. Da mesma forma, uma clássica baguete francesa fará um excelente par com uma bière blanche do norte da França.

 

Cervejas leves combinam com comidas leves e refrescantes, como um pão aromatizado com alecrim. Cervejas escuras e intensas pedem alimentos mais fortes, como pães recheados ou de chocolate.

 

Procure sempre organizar sua degustação de modo que comece pelos pães e cervejas mais leves e caminhe gradualmente rumo aos mais fortes. Dessa forma você evita que o paladar fique saturado e os sabores mais delicados não sejam percebidos.

 

Agora que você já sabe como harmonizar da melhor maneira cerveja e pão, é hora de por a mão na massa e experimentar quais combinações mais lhe agradam. E se você gostou do nosso guia e quer dividir o que aprendeu com mais pessoas, compartilhe esse material nas suas redes sociais!

 



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