Celi Anizelli

Quem te inspirou?

Minha experiência com pães começou em casa fazendo os para amigos e minha família. Sou descendente de italianos e a conversa à mesa sempre rendeu muitas histórias e risadas. Numa dessas conversas, o reencontro com uma amiga (D. Vera Baptista) e suas filhas, fizeram-me ter coragem para seguir o caminho do pão e por ele, Elvira Carlesso é o primeiro nome a ser lembrado para inspirar-me. Professora determinada, conduzia nossas aulas num ritmo organizado e cheio de ética. Depois, buscando informações sobre o pão e suas alquimias, Marcos Cerutti tornou-se meu amigo virtual tentando, à distância, ele no Rio de Janeiro e eu em Curitiba, ensinar-me sobre fermentação natural (?) um universo que eu desconhecia e me ensinou que não existe certo ou errado neste caminho, mas sim o resultado que se colhe com suas escolhas...  No grupo onde conversávamos conheci Márcio Sena. Naquele momento, um estudioso e pesquisador do pão. Hoje, para mim, um irmão paciente e generoso que, por ele e sua esposa Patrícia, nutro um enorme sentimento de gratidão. Não posso esquecer de Marcelo Müller e a lição de humildade que me deixou. Ele foi o primeiro que conheceu o meu trabalho pessoalmente. Conversamos muito, fizemos pão juntos e ele saiu daqui com um pão de ervas debaixo do braço e me contou que comeu tudo sozinho antes mesmo de chegar em Floripa! E tem ainda meu querido amigo padeiro-cervejeiro Marcelo Sanglard, que veio me visitar a caminho de São Paulo. Contamos nossas histórias, amassamos pão e foi ele quem me disse sobre eu ter criado uma assinatura para os meus pães(?). Hoje entendo o que ele quis dizer. Mais adiante, o espanhol Josep Pascual com seu método, encheu meus olhos com muitas possibilidades para eu desenhar e escarificar pães criando minha própria técnica. São muitos os inspiradores, não? Continuam a me inspirar e sempre me trazem mais gente para partilhar histórias e aprender. Bom isso!

 

Quando decidiu?

Em 2013, aos 52 anos, reinventando meu caminho.

 

 

Como aprendeu?

Fiz curso de panificação na Escola Profissional Maria Ruth Junqueira, em Curitiba. Uma escola maravilhosa, organizada e dona de um profissionalismo que me surpreendeu.  Foram os primeiros passos que eu precisava para iniciar. Sou autodidata.

 

Como define sua cozinha?

Simples, acolhedora e generosa.

 

 

Quem é você fora da cozinha?

Sou gestora do meu negócio, dou aulas, oriento meus alunos no pós-classe, escrevo nos meus blogs Sal de Açúcar (textos em prosa) e Diário de Antônio (hoje um livro virtual), sou padeira, mãe, esposa, amiga, gosto de ler e viajar.

 

Sabor da infância?

Eu passeava entre os quintais separados por balaústras ouvindo a conversa das casas das tias na Vila que levava o sobrenome da família do meu pai: Vila Anizelli.  A cidadezinha de clima quente e nome de dia do mês - Primeiro de Maio - permitia-me brincar ao ar livre nas ruas de terra vermelha entre toras enormes da serraria do meu avô. Nos dias de semana, o apito da oficina anunciava a hora do almoço e do café da tarde. A comida simples feita no fogão à lenha, os pães cheirosos que saiam do forno instalado no quintal, os doces caseiros de mamão ralado, cidra, abóbora em pedaços feitos pelas tias e a ambrosia que minha avó fazia era de dar água na boca. Lá no outro quintal, eu via tia Chida sentada num pequeno banquinho a torrar café num mágico e barulhento torrador bola espalhando o cheiro de café para todo o lado!

Ás três da tarde o apito da oficina me lembrava que já era hora do café!

Eu poderia ouvi-lo onde quer que eu estivesse! Hora de correr, lavar as mãos e sentar cm avós e tios para partilhar a prosa, abençoar o dia e agradecer o pão.

 

 

É um sucesso por quê?

Nas minhas oficinas tenho como missão ensinar as pessoas a fazerem pão. Brinco que cada uma deve se EMPÃODERAR. O que sinto é que muitos alunos saem dela emocionados, seja pelo êxito de conseguirem fazer seu próprio pão, ou ainda, pelo dia de vivência e histórias compartilhadas. Aprendi com Cora Coralina que “nada do que vivemos ou sentimos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas.”

  

 

Um prato?

Tabule com coalhada e hommus.

 

 

Comer ou preparar?

Comer. Em casa o cozinheiro é o marido!

 

 

O que comeu e não esqueceu?

Macarronada da tia Celina e o pão (Francês) com ovo frito da tia Aninha. Divinos!

 

 

 

 

 

 

 





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