Fernanda Valdivia

Quem te inspirou?

Laurent Suaudeau foi e sempre será, meu grande mestre. Ele foi a pessoa mais comprometida em formar cozinheiros que já conheci. Nunca se tratou de "savoir faire", mas de "savoir être", como ele mesmo dizia. Foi essa inspiração, no começo da minha carreira, que determinou toda a paixão que tenho até hoje.

 

Quando decidiu?

Aos 18 anos. Quando me encarei frente ao espelho e ponderei qualidades e defeitos contra os quais não poderia e nem deveria lutar. Identifiquei rapidamente a necessidade de trabalhar com as mãos, e a incapacidade total de viver sem desafios. Cozinha foi a única resposta!

 

Como aprendeu?

Me formei em 2005 pelo Senac Águas de São Pedro. Cozinheira, porque trabalhei quatro anos com Laurent Suaudeau, meu grande mestre. Depois, Confeiteira, porque trabalhei um ano com Paco Torreblanca na Espanha, o número um do mundo. Padeira porque criei e montei a Padoca do Maní, melhor padaria de 2015 pela Veja SP. Personal chef porque ao longo de todos esses anos realizei os mais variados formatos de eventos, desde jantares intimistas a casamentos, e até trabalhos de cozinheira particular no verão em Saint Tropez, na França.

 

Como define a sua cozinha?

Tenho incrível atração por técnicas antigas, porque sinto ali o cheiro do imponderável e conseguir dominá-las é o mais próximo da alquimia que a cozinha pode chegar.

 

Quem é você fora da cozinha?

Alguém que procura se manter no peso, procura pagar as contas em dia, procura não perder um filme interessante, procura estar presente na família, mas que luta para que a cozinha não se apodere de tudo isso.

 

Sabor da Infância?

As uvas que meu pai descascava para mim, uma a uma, no café da manhã na praia, carregadas de sorriso e amor.

 

É um sucesso por quê?

O sucesso do cozinheiro dura o tempo de um sorriso, sorriso de quem prova sua comida. Todo o resto é trabalho, e não precisa ter medo disso, mesmo assim vale a pena.

    

Um prato?

A paella de coelho e caracóis que comi à beira da estrada, em um povoado vizinho a Monóvar, na Espanha, quando trabalhei em terras espanholas.

 

Comer ou preparar?

Preparar, mil vezes preparar.

 

O que comeu e não esqueceu?

O primeiro Foie Gras grelhado da minha vida, que veio à boca em forma de recompensa à postura que tomei frente à maior bronca que já levei de um chefe. Foi um afago gorduroso e generoso, depois de um castigo vigoroso ao qual resisti com convicção.





POSTS